terça-feira, 24 de agosto de 2010

No escurinho do salão

Ok. Respire fundo, Leonardo. Você é forte. Você pode. Você é o cara, mano. O cara, tá ligado? Ninguém vai tirar aquela mina pra dançar antes de você, meu irmão!

- Leo? Quer parar de olhar pra mina desse jeito? Vai assustar a gata, bro! – Peter, meu brother, foi quem me tirou dos pensamentos psicóticos. A parada tava sinistra pro meu lado.

- Pô bicho, valeu. Tava aqui na maior viagem mano… to muito afim de dançar com ela, mas coragem, cadê? – Passei a mão pelos cabelos, nervoso. Tudo comigo, tudo comigo! Odeio esses bailes de escola. Frescurite! E pior ainda: eu sou um dos frescos que aparecem.

- Nada, mano. Vai lá e chama a mina! Tá rolando mó clima, chama a gata pra dançar meu!

- Aí meu! Vou lá. Vou lá! – Me animei todo, e com uma coragem que Deus tratou de me enviar na hora certa, me aproximei da guria e sorri, estendendo a mão. Ela me olhou meio rabo de olho, mas por fim sorriu e permitiu que eu segurasse a mão dela.

Era mó mão pequenininha, mano! Fiquei mó emocionado! Abri um sorriso besta e logo segurei ela pela cintura, pra gente dançar coladinho. A música era perfeita e quando eu vi tava no maior love com a mina. A gente trocou umas palavras aí, mas tava bom demais ter ela ali pertinho. Só lembro que ela elogiou a cor dos meus olhos. Azuis, tá ligado? Herdei algo que prestasse da minha mãe. Mas não era hora de lembrar de mãe e o lance era curtir o momento. E a mina era linda! Olhos verdes, cabelo castanho, a pele clara. Não entendi bem como uma gata daquelas foi dançar logo comigo. Devia tá meio cegueta com as luzes da festa.

E foi aí que rolou a bagaça que estragou uma noite perfeita. Tipo, algum palhaço resolveu apagar as luzes. Ficou mó breu mano! Eu me afastei da guria rapidinho, pra olhar em volta, e ela soltou da minha mão. Aí tipo, eu me aproveitei da situação, né? Puxei o braço dela de volta, com todo carinho, e beijei ela. Não tinha imaginado dá uns pega na mina ali no meio do salão, mas no escurinho do salão tudo vale…

Foi o beijo, malandro! Duvido que a mina fosse esquecer uma cena de Hollywood daquelas, mano! Mó beijo de cinema meu irmão. Ela também logo me agarrou e a gente aproveitou legal o escurinho. Mão boba ali, mão boba acolá…

Aí as luzes acenderam. E eu abri meus olhos também.

- Puta mano! Quem é você, meu? – Eu berrei, saltando pra longe da mina que tava me agarrando. A mina era loira, mano! Cadê a minha morena? Beijei a mina errada!

Ela só riu da minha cara, a desgraçada.

- Então é assim que você me acha linda, seu cafajeste? – Com as mãos na cintura, a minha mina apareceu atrás de mim com mó cara de brava.

Olhei pra ela, coçando a cabeça sem jeito.

- Sujou.

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